Ponderações sobre os ruídos na comunicação


Self Made Man – Escultura da artista Bobbie Carlyle

“Entre o que eu penso, o que quero dizer, o que digo e o que você ouve, o que você quer ouvir e o que acha que entendeu, há um abismo [imenso]*.”

Alejandro Jodorowsky

Conheci e convivi com um ateu certa vez.

Por alguma razão pessoal que não me lembro no momento, ele resolveu experiênciar o que seria meditar em um templo budista. Nesse breve espaço de tempo, começou um processo de se esculpir, casou com uma bruxa e passou a frequentar uma escola que tem como principal curso o treinamento anti-sectário, e começou a aprender ética inter e trans-religiosa.

Hoje não temos mais contato, ele nem sequer existe mais. Se você pudesse conversar com a nova reencarnação dele, provavelmente vai ouvi-lo dizer que nesse momento não sabe muito bem o que ele é, ou quais são as coisas que acredita ou não. Mas que consegue acredita em 7 coisas impossíveis antes do café do manhã, que seus/nossos pensamentos são os ingredientes para criarmos vários mundos, e por isso hoje ele pode se comunicar com magos, fadas e sereias!

Se meu eu desse momento pudesse de alguma forma invocar essa minha encarnação anterior de 5 anos atrás, e tentassemos manter um diálogo sobre qualquer assunto.  Teríamos ruídos imensos em nossa comunicação. E se isso vale para minhas certezas que existiam em minhas versões passadas, É bem provável que serve para um conjunto de certezas que tenho hoje, mas que só perceberei em minhas versões futuras.

Um fato e que nem sempre percebemos , mas mentimos em demasia, não só para nós mesmos, como para os outros com quem interagirmos, ontem mesmo falei que não ia tomar mais refrigerante a base de cola… Adivinha o que tem dentro de um copo enorme aqui na mesa, no momento que digito esse texto?

Somos seres de enormes incoerências.

Comecei esse texto apontando tantas as mudanças graduais e contínuas pelas quais passei/passo, como as mentiras que me conto. Para tentar demonstrar o quanto de conflito existe dentro de nós mesmos. E parto dessa premissa,  supondo que tanto os conflitos, como os ruído que temos conosco e com outros. É algo natural em nossa comunicação porque já a trazemos dentro de nós.

Teóricos da comunicação apontam 4 situações de ruídos que podem dificultar um diálogo, são eles:

1- Ruído físico: sua origem é externa, são barulhos que atrapalham a outra pessoa de ouvir o que estamos falando, por exemplo, quando há construções por perto, aparelhos de som com o volume muito alto, conversas paralelas, e etc… são exemplos que dificultam o receptor de ouvir o que está sendo falado.

2- Ruído fisiológico: o que atrapalha o entendimento de quem precisa ouvir ou transmitir, por algo que lhe incomoda, como dores. Dor de ouvido, de cabeça, de garganta. Cansaço físico. Não adianta, não conseguimos pensar ou raciocinar direito nesse caso.

3- Ruído psicológico: É quando estamos tentando entender a mensagem transmitida e começamos a pensar em outras coisas, a “viajar na maionese”, devido a causas como tarefas acumuladas, preocupações e etc. outras vezes na pressa de comunicar,  deixamos a mente vagar por aí. E não elaboramos cuidadosamente o enredo do que queremos transmitir. Isso acaba impedindo o entendimento de nosso receptor da mensagem.

4- Ruído semântico: É quando ouvimos algo que possui um significado diferente, como no caso da brincadeira do  “telefone sem fio” .

Isso pode acontecer também nos casos de mensagens com muitos termos técnicos, idioma na qual não temos fluência ou assunto que conhecemos muito pouco. um exemplo, quando você não entende nada de astronomia, vai assistir a uma palestra que fala sobre o assunto, e sabe que irá se deparar com palavras que você nunca ouviu. Naturalmente, seu entendimento poderá ficar prejudicado, pela falta de conhecimento.

Além dessas dificuldades, existem barreiras que interferem no processo de comunicação, tais barreiras devem ser eliminadas para que a mensagem flua  entre duas pessoas ou mais membros de uma comunidade.

Principais barreiras da comunicação

a) seletividade: o emissor só ouve o que é do seu interesse ou o que coincida com a sua opinião;

b) egocentrismo: o emissor ou o receptor não aceita o ponto de vista do outro ou corta a palavra do outro, demonstrando resistência para ouvir;

c) timidez: a inibição de uma pessoa em relação a outra pode causar gagueira ou voz baixa, quase inaudível;

d) preconceito: a percepção indevida das diferenças socioculturais, raciais, religiosas, hierárquicas, entre outras;

e) descaso: indiferença às necessidades do outro.

Enquanto estamos vivos, dá tempo de, escolher diferente, viver diferente, escutar diferente.

Se morrermos hoje, teremos vivido uma boa vida? Se olharmos para trás, no que investimos mais nosso tempo? Ajudar pessoas? Ler livros? Curtir uma praia?

Um dia, não dará mais tempo.

Então, devemos pensar muito cuidadosamente sobre o que é que nós queremos ser.

Atisha Dipankara, um dos maiores eruditos budistas da Índia, tinha um modo maravilhoso de colocar isto. Ele disse: “Oito coisas fazem uma pessoa ficar fraca mentalmente”. Ele estava se referindo as oito armadilhas nas quais caímos:

Querer ganhar;

Não querer perder;

Querer ser reconhecido;

Não querer ser ignorado.

Querer ser elogiado;

Não querer ser criticado;

Querer prazer;

Não querer dor;

Não tenho a solução, nem me considero habilitado a orientar ninguém para um problema com tantas variáveis, o que faço aqui. são sugestões de leituras e estudos que pesquisei pra mim numa pálida tentativa de desenvolver cada vez mais paciência, uma escuta compassiva e compaixão nos diálogos.

Recomendações para aqueles que buscam mais:

Livros:

A Arte de se comunicar.Thich Nhat Hanh.

O poder da empatia. Por Roman Krznaric.

Comunicação Não-Violenta. Marshall Rosenberg.

Vídeos:

Tendências infantis que nos impedem de viver o presente. Jetsunma Tenzin Palmo.

Paciência é o antidoto para raiva. Jetsunma Tenzin Palmo.

Texto complementar:

Comunicação saudável ou tóxica. Thich Nhat Hanh.

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Lista de leitura em junho de 2018

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Melhor livro do mês

Minha meta é durante a vida ler no minimo um livro por semana. Segue os livro lidos nesse mês.

Rowling, J. K. Harry Potter e o Enigma do príncipe. Rocco, 2017.

Morrow, Carol Ann. Terapia da paz. Paulus, 2004.

ROWLING, J. K. Harry potter e as relíquias da morte. Rocco, 2017.

Antologia Mitografia

Revista trasgo #02

Revista trasgo #03

BROWN, Dan. Origem. Arqueiro, 2017.

ROWLING, J.K. Historias de Hogwarts: proezas, percalços e passatempos perigosos. Pottermore, 2017.

ROWLING, J.K. Historias de Hogwarts: poder, política e poltergeists petulantes. Pottermore, 2017.

ROWLING, J.K. Hogwarts: um guia imperfeito e impreciso. Pottermore, 2016.

ROWLING, J.K. Harry Potter e a criança amaldiçoada: parte um e dois. Rocco, 2016.

KING, Stephen. Sobre a Escrita: a arte em memórias. Suma de letras, 2015. (melhor leitura do mês de junho)

NOVELLO, Eric. Neon Azul. Draco, 2010. (segunda melhor leitura do mês de junho)

ROWLING, J.K. Os Contos de Beedle: o bardo. Rocco, 2008.

SHIROW, Masamune. Ghost in the Shell. JBC, 2006. (coleção completa)

TOGASHI, Yoshihiro. Yu yu hakusho. JBC, 1990. (coleção completa)

 

Caso queria me indicar algo para ler pode escrever o que seria , vou pensar com carinho.

 

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O estudante

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Credit: Al Margen

O estudante acordou desanimado para mais um início de semana, enquanto escovava os dentes fazia o inventário das coisas a serem feitas. Tinha três imensos artigos científicos pra ler e um livro a ser lido para a prova na sexta. Foi tentado durante o final de semana e já no começo dessa manhã pelas fotos e posts que enchiam seu celular via whatsapp, telegram, facebook e instagram, lotados de frases otimistas, churrascos, festas e trilhas. Fazendo com que aumentasse o seu rancor e o sentimento de vida desperdiçada.

No e-mail do estágio, oitenta e sete requeriam sua atenção. No pessoal, mais de cem, a maioria spam. No caminho da faculdade via pulsando em sua retina, milhares de dados fragmentados, que eram decodificados: sinais de trânsito, roupas, placas de carros, capas de revistas, outdoors e jornais. Ao abrir o Notebook no metrô, na tela dezenas de links, pop-ups tentam distrai-lo, como chamarizes sobre assuntos que mais o agradam: marketing, management, publicidade, informática, variedades e de educação, além de todas as pendências da semana passada. Na sua mochila se encontram três livros: dois que ganhara de presente e um que comprou na semana. Apesar do peso, não os tirava da mochila com medo que fossem se juntar às dezenas de outros livros que estão, há meses, na sua estante em uma fila de espera para um dia, serem lidos.Dentre eles alguns forma comprados há cinco bienais passadas, que ainda estava lá no plastico e com cheiro de novo.

Em sua estante se encontram filmes e documentários imperdíveis que não conseguia ver, e que muitos já viram, menos ele. A lista do serviço de streaming deixou a notificação de lançamento de uma nova série hoje a noite. E sua agenda informava para fazer o relatório mensal, não perder a pré estreia do novo filme de aventura e a consulta ao dentista na quinta.

As vezes se sentia esgotado, cheio e inchado. Como um animal que digeriu além do que podia. Contudo, num mundo competitivo e predatório, sabia que não podia ficar para trás. Mesmo que isso gerasse uma sensação de frustração e incapacidade que, aos poucos, ia se transformando em uma ansiedade cada vez maior.

Vivia na Era da Informação, e caminhava em um oceano de dados, bytes e fatos que, isoladamente, não tinham significado.

Assim aos pouquinhos, definhava em vida.


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