O estudante

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Credit: Al Margen

O estudante acordou desanimado para mais um início de semana, enquanto escovava os dentes fazia o inventário das coisas a serem feitas. Tinha três imensos artigos científicos pra ler e um livro a ser lido para a prova na sexta. Foi tentado durante o final de semana e já no começo dessa manhã pelas fotos e posts que enchiam seu celular via whatsapp, telegram, facebook e instagram, lotados de frases otimistas, churrascos, festas e trilhas. Fazendo com que aumentasse o seu rancor e o sentimento de vida desperdiçada.

No e-mail do estágio, oitenta e sete requeriam sua atenção. No pessoal, mais de cem, a maioria spam. No caminho da faculdade via pulsando em sua retina, milhares de dados fragmentados, que eram decodificados: sinais de trânsito, roupas, placas de carros, capas de revistas, outdoors e jornais. Ao abrir o Notebook no metrô, na tela dezenas de links, pop-ups tentam distrai-lo, como chamarizes sobre assuntos que mais o agradam: marketing, management, publicidade, informática, variedades e de educação, além de todas as pendências da semana passada. Na sua mochila se encontram três livros: dois que ganhara de presente e um que comprou na semana. Apesar do peso, não os tirava da mochila com medo que fossem se juntar às dezenas de outros livros que estão, há meses, na sua estante em uma fila de espera para um dia, serem lidos.Dentre eles alguns forma comprados há cinco bienais passadas, que ainda estava lá no plastico e com cheiro de novo.

Em sua estante se encontram filmes e documentários imperdíveis que não conseguia ver, e que muitos já viram, menos ele. A lista do serviço de streaming deixou a notificação de lançamento de uma nova série hoje a noite. E sua agenda informava para fazer o relatório mensal, não perder a pré estreia do novo filme de aventura e a consulta ao dentista na quinta.

As vezes se sentia esgotado, cheio e inchado. Como um animal que digeriu além do que podia. Contudo, num mundo competitivo e predatório, sabia que não podia ficar para trás. Mesmo que isso gerasse uma sensação de frustração e incapacidade que, aos poucos, ia se transformando em uma ansiedade cada vez maior.

Vivia na Era da Informação, e caminhava em um oceano de dados, bytes e fatos que, isoladamente, não tinham significado.

Assim aos pouquinhos, definhava em vida.


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Lista de leitura em maio de 2018

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Melhor livro do mês.

 

Sempre amei listas!

Tenho de coisas a fazer, livros para ler,  séries, filmes, coisas impossíveis, sonhos, desejos, compras… e etc.

Pensei que seria uma boa ideia publicar todo mês minha lista de leitura. Poderia fazer um resenha, trabalha melhor cada um, mas não quero ser crítico de literatura.

Tenho muito prazer na leitura, outros não tem. Já indiquei livros que foram amados e vi amigos detestarem. O contrário também já aconteceu, livros abandonados por mim, serem apreciados. Penso que ou a pessoa não estava no tempo certo de leitura, Como um romance que depende do desejo conjunto de  ambos. Ou que a história não é para a pessoa. Simples assim.

Manguel, Alberto. O leitor como metáfora: O Viajante, a Torre e a Traça. Sesc, 2017.(segunda melhor leitura do mês, Livro lindo!)

PÊRA, Marília. Cartas a uma jovem atriz. Elsevier, 2008.

Gleiser, Marcelo. Retalho cósmico. Companhia das Letras, 1999.

Rowling, J. K. Harry Potter e a pedra filosofal. Rocco, 2017.

Rowling, J. K. Harry Potter e a câmara secreta. Rocco, 2017.

Rowling, J. K. Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban. Rocco, 2017.

Bianchi, Jana P. Lobo de Rua. Dame Blanche, 2016.

Revista Trasgo #01

Rowling, J. K. Harry Potter e o Cálice de fogo. Rocco, 2017.

Rowling, J. K. Harry Potter e a Ordem da fênix. Rocco, 2017.

Rowling, J. K. Harry Potter e o Enigma do príncipe. Rocco, 2017.

Morrow, Carol Ann. Terapia da paz. Paulus, 2004.

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Um momento perfeito de escrita

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Artista desconhecido, se souber quem é, Por favor me informe.

…aaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!

O escritor levantou da cama gritando em pânico! O suor escorria da sua face, a respiração estava ofegante, suas mãos seguravam a cabeça e meio grogue olhava em volta tentando se localizar e entender se o que aconteceu foi real. Estava em seu quarto. Os músculos do corpo tremiam de forma involuntária. Olhou fixamente o teto e não observou nada de anormal.

Arrumou a cama numa tentativa de também organizar os pensamentos, enquanto de soslaio lia ao quadro de planejamento na parede. Lá, em letras garrafais estava escrito a tarefa do dia: descrever um momento perfeito de escrita.

Caminhou em direção ao banheiro, verificando o relógio da cozinha, os ponteiros marcavam 11:11, sem pressa tomou um banho, onde a incômoda sensação de deja vú, continuava a consumir sua mente. Escovou os dentes, lavou o rosto e percebeu pelo reflexo no espelho sua aparência, a barba por fazer de dias, os primeiros fios brancos se escondiam aqui e ali, suas olheiras estavam profundas, seu semblante não era dos melhores.

Andou em direção a mesa onde escrevia na sala, abriu o notebook e olhou com raiva a página em branco, aquela tela recheada de melancolia, se perguntando porque raios alimentava o sonho de ser escritor. Exceto uma vez, quando se sentiu uma personagem de uma história escrita por algum ser, um deus sacana, uma entidade malévola que se divertia com suas tentativas de dia após dia, produzir algo bom.

Depois de olhar a tela por um tempo que parecia horas, decidiu que se não conseguia escrever, ao menos teria um momento perfeito na sua existência de merda.

A perfeição no seu entender era como um círculo, ou um movimento elíptico, como o movimento da lua em torno da terra e desse planeta em torno do sol. Constante e previsível.

Se levantou ao ouvir um som estrondoso: RROOONNNKKK!

O barulho que vinha do seu estômago, não deixava dúvidas. Quando foi realmente a última vez que comeu? – questionou-se.

Na cozinha abriu uma caixa de pizza abandonada, comeu a última fatia fria que residia lá dentro. Pegou o celular e ligou pra pizzaria, a única do bairro que atende 24 horas e aceitava seus pedidos especiais. Pediu uma pizza família de marguerita com manjericão fresco e duas passagens só de ida pra Marte.

Entre o caos que se encontrava a cozinha, pegou uma caneca suja de dentro da pia, lavou lentamente a caneca, a encheu de água e esquentou no micro-ondas. Preparou um chá de Valeriana, um potente sonífero. Batizou a bebida com duas doses de conhaque e a bebericava quando o entregador chegou.

Pagou a pizza, sorriu, ao receber um saquinho de plástico com dois pequenos quadradinhos de papel. Sim, agora o dia será perfeito! Murmurou pra si mesmo.

Comeu sete das oito fatias da pizza, deu o último gole no chá, colocou a caixa na cozinha e de forma delicada introduziu os dois micropontos de papel colorido abaixo da língua e fechou a boca. Semicerrou os olhos esperando o efeito, fixou os olhos no teclado e antes de tocar nas primeiras teclas. Percebeu não sem assombro, que algumas letras se mexiam.  A letra “j” dançava, e achando estranho afastou a cabeça e a aproximou para visualizar melhor o que acontecia. Sua cabeça inclinava em direção ao teclado quando sentiu algo invisível o puxando, até que, ao encostar a cabeça no teclado, foi sugado com todo o corpo para dentro das teclas… Caiu por um longo tempo, parecia que estava na toca do coelho da Alice, letras passavam a sua volta, o ditongo de uma palavra copulava em queda livre, gerúndios o xingavam em sua queda, dois advérbios lhe mostraram o dedo do meio. Quando percebeu que talvez nunca pararia de cair, começou a gritar!

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa…

 

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Texto escrito como Exercício número um do ninho dos escritores.

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