Um momento perfeito de escrita

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Artista desconhecido, se souber quem é, Por favor me informe.

…aaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!

O escritor levantou da cama gritando em pânico! O suor escorria da sua face, a respiração estava ofegante, suas mãos seguravam a cabeça e meio grogue olhava em volta tentando se localizar e entender se o que aconteceu foi real. Estava em seu quarto. Os músculos do corpo tremiam de forma involuntária. Olhou fixamente o teto e não observou nada de anormal.

Arrumou a cama numa tentativa de também organizar os pensamentos, enquanto de soslaio lia ao quadro de planejamento na parede. Lá, em letras garrafais estava escrito a tarefa do dia: descrever um momento perfeito de escrita.

Caminhou em direção ao banheiro, verificando o relógio da cozinha, os ponteiros marcavam 11:11, sem pressa tomou um banho, onde a incômoda sensação de deja vú, continuava a consumir sua mente. Escovou os dentes, lavou o rosto e percebeu pelo reflexo no espelho sua aparência, a barba por fazer de dias, os primeiros fios brancos se escondiam aqui e ali, suas olheiras estavam profundas, seu semblante não era dos melhores.

Andou em direção a mesa onde escrevia na sala, abriu o notebook e olhou com raiva a página em branco, aquela tela recheada de melancolia, se perguntando porque raios alimentava o sonho de ser escritor. Exceto uma vez, quando se sentiu uma personagem de uma história escrita por algum ser, um deus sacana, uma entidade malévola que se divertia com suas tentativas de dia após dia, produzir algo bom.

Depois de olhar a tela por um tempo que parecia horas, decidiu que se não conseguia escrever, ao menos teria um momento perfeito na sua existência de merda.

A perfeição no seu entender era como um círculo, ou um movimento elíptico, como o movimento da lua em torno da terra e desse planeta em torno do sol. Constante e previsível.

Se levantou ao ouvir um som estrondoso: RROOONNNKKK!

O barulho que vinha do seu estômago, não deixava dúvidas. Quando foi realmente a última vez que comeu? – questionou-se.

Na cozinha abriu uma caixa de pizza abandonada, comeu a última fatia fria que residia lá dentro. Pegou o celular e ligou pra pizzaria, a única do bairro que atende 24 horas e aceitava seus pedidos especiais. Pediu uma pizza família de marguerita com manjericão fresco e duas passagens só de ida pra Marte.

Entre o caos que se encontrava a cozinha, pegou uma caneca suja de dentro da pia, lavou lentamente a caneca, a encheu de água e esquentou no micro-ondas. Preparou um chá de Valeriana, um potente sonífero. Batizou a bebida com duas doses de conhaque e a bebericava quando o entregador chegou.

Pagou a pizza, sorriu, ao receber um saquinho de plástico com dois pequenos quadradinhos de papel. Sim, agora o dia será perfeito! Murmurou pra si mesmo.

Comeu sete das oito fatias da pizza, deu o último gole no chá, colocou a caixa na cozinha e de forma delicada introduziu os dois micropontos de papel colorido abaixo da língua e fechou a boca. Semicerrou os olhos esperando o efeito, fixou os olhos no teclado e antes de tocar nas primeiras teclas. Percebeu não sem assombro, que algumas letras se mexiam.  A letra “j” dançava, e achando estranho afastou a cabeça e a aproximou para visualizar melhor o que acontecia. Sua cabeça inclinava em direção ao teclado quando sentiu algo invisível o puxando, até que, ao encostar a cabeça no teclado, foi sugado com todo o corpo para dentro das teclas… Caiu por um longo tempo, parecia que estava na toca do coelho da Alice, letras passavam a sua volta, o ditongo de uma palavra copulava em queda livre, gerúndios o xingavam em sua queda, dois advérbios lhe mostraram o dedo do meio. Quando percebeu que talvez nunca pararia de cair, começou a gritar!

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa…

 

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Texto escrito como Exercício número um do ninho dos escritores.

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A Escuridão

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Credit Photo: NASA

A escuridão era plena!

Nada existia, só trevas…
O guerreiro tomou consciência de si, mas não enxergava nada a sua volta. Acreditava que existia, porque se sentia! Ainda assim, dúvidas germinavam em sua mente.
Era real? Existia algo além? tentou se levantar, caminhar e sentiu medo!
A escuridão o envolvia como um cobertor frio, uma presença tangível. Sentia-a densa por dentro ao respirar.Chorou, e de sua lágrimas, uma pequena Luz bruxuleante surgiu e iluminou a vastidão onde se encontrava.
Maravilhado, se prostrou e adorou a pequena luminescência. Quanto mais a adorava e se entregava, mais ela se fortalecia.Na presença da claridade, percebeu a própria sombra e não importava o que fizesse, cada gesto seu era copiado e por isso a odiou !
Alimentando a luz, sentia-se forte e sem medo. Contudo, quanto mais forte se tornava a luz, mais sólida era a sombra. Sua luta passou a ser interna: percebia que quanto mais alimenta-se a luz, mais fortalecia o ser que estava a suas costas.
Meditou numa solução contemplado a Luz durante o que talvez foi eras, não existia medida cíclica de tempo, só Luz, guerreiro e sua sombra… Então, a única forma considerada possível, foi aceitar o todo como parte de si mesmo. Assim, em posição devota e com ambas as mãos, pegou a luz a sua frente, acalentou-a em seu peito e se abraçou. E a Luz penetrou em seu coração!
Irradiou-se por inteiro como fonte luminosa, não mais enxergando sua sombra e o breu a sua volta se afastou. Lentamente, de forma progressiva, se elevava do chão…
Subiu… Não saberia expressar por quanto tempo, e agora como corpo luminoso e distante entendia a imensidão de onde se encontrava. Compreendeu que por mais forte que fosse sua luz. A distância jamais lhe permitiria erradicar as trevas por completo.
Ao longe, a escuridão era plena! Ainda assim a estrela sentiu, quando longes uns dos outros, alguns guerreiros estavam adquirindo consciência, outros choravam…
Lá de cima, a luz lembrou-se de sua jornada e processo… e chorou também! 
Lá embaixo, lágrimas se tornaram novas fontes de luz!

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Esse texto foi escrito um ano atrás, em 23/04/17. Dia comemorativo de São Jorge, onde estudando a iconografia do mesmo. A frase quanto mais forte a luz, mais sólida a sombra. Passou a morar na minha cabeça e só me deixou em paz depois de escrever um micro conto, onde ela pudesse viver.

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A Fada e a Árvore

 

labirinto

CRÔNICAS DO MUNDO QUADRADO

O mundo que habito é um imenso labirinto quadrado, cheio de encruzilhadas… Pessoas indo e vindo habitando nele… Elas não sabem o que fazem ali… No meio dele há uma montanha enorme, onde nuvens encobrem o topo, alguns dizem que ali habitam deuses, outros que ali o frio mata a própria alma… Poucos a escalaram… E os que voltaram não relataram coisas coerentes, outros se tornaram coisas diferentes.

Renf, O Druida.

A história abaixo foi reconstruída a partir de um diário encontrado no pé de uma árvore muito antiga, que existe no lado sul do nosso labirinto mundo. Esse diário possuía uma enorme variedade de pequenos pontos brilhantes, como as asas de uma borboleta.

A Fada e a Árvore

Uma vez me despedi de alguém numa encruzilhada do labirinto… Nunca mais a vi… Faz pouco tempo me despedi de outra… Essa, espero ver novamente. A vida aqui é assim, como numa maré de pequenas decisões que influenciam todo o seu futuro, se tornando ondas e se chocando nas ilhas de mosaicos das coisas desejadas, aonde algumas vão se realizar, outras vão permanecer nos pensamentos e algumas, nunca sonhadas, aparecerão na sua vida…

Houve uma época em que meu desejo era ter borboletas: perdia um tempo precioso correndo atrás delas. Colecionei algumas e quando elas morriam, eu as guardava imóveis, mortas, e as conservava com formol… Com o tempo, suas asas perdiam o brilho e cor. No fundo, sentia prazer em ter coisas mortas guardadas – aqui, muitos de nós nos alimentamos de cadáveres…

TÉDIO, tudo tende ao tédio…

Desejei então que as borboletas voassem perto de mim, com suas asas multicores e vôos graciosos, mas nunca consegui atraí-las, nem por um pequeno tempo sequer… Desisti… Continuei a andar vagando e virando sem olhar à esquerda ou à direita das encruzilhadas que apareciam a minha frente. Andei por muitos rumos e disperso, acabei esquecendo os meus sonhos e desejos…

Esqueci que havia todo um mundo além de mim, de coisas e pessoas a serem vistas e apreciadas… E a única coisa naquele momento que me incomodava eram as paredes do caminho que me sufocavam… Acreditava, realmente, que isso era só comigo…

Certa tarde parei cansado em frente a um enorme jardim, lá conheci um jardineiro que me deu água e frutas frescas… De tão exausto adormeci durante um bom tempo.

Ao ir embora, me contou que no topo da montanha eu encontraria aquilo que procurava… Como assim? Como outra pessoa poderia me dizer o que desejar? Como outro ser poderia pela expressão do meu rosto saber dos desígnios do meu coração! Mas,na falta de outro caminho a seguir, resolvi tenta e assim comecei a escalar…

A subida foi árdua e cansativa. Ganhei, durante a subida, marcas, frustrações e bolhas nos meus pés… Atravessar as nuvens foi a parte mais difícil, não conseguia enxergar nada a minha frente, houve momentos onde não via nem a mim: nessas horas tinha que me tocar para saber que existia…

Alcancei enfim o topo.

O chão era branco e fofo, fazia frio e não havia nada, a não ser neve… Neve, neve e mais neve em todas as direções em que olhava…

Andei por aquele deserto alvo até a sua outra borda, lá, como que esperando por mim, as nuvens se abriram e pude contemplar o labirinto abaixo: A vida fervilhava, e me vi hipnotizado por aqueles pontos caminhando para lá e para cá, do mesmo jeito que quando criança observava um formigueiro… Andei por mais um tempo e encontrei uma pequena árvore com frutos amadurecidos e imaginei o quanto ela teve que lutar pra sobreviver ali, em terreno tão inóspito… E peguei várias vezes a perguntar abobalhado como a semente que tinha sido trazida pelo vento até ali…

Senti-me pequeno e sozinho…(no fundo achei que existiria algum tipo raro de borboleta naquele frio). Senti-me idiota… Alimentei-me dos frutos da árvore, que eram bons e cheios de sementes… Ao invés de jogar as sementes fora, as guardei nos meus bolsos. Decidi descer até o labirinto e guardar, como lembrança, neve e terra daquele lugar, como eu fazia em todos os lugares por onde passava… Não tinha mochila, os bolsos ficaram pesados.

Adentrei o labirinto de encruzilhadas e me distraí, não lembrei do que tinha nos bolsos… Continuei caminhando e me vi feliz quando apareceram novos companheiros de jornada: alguns viravam logo na outra esquina; outros caminhavam comigo por mais tempo; alguns eu voltava a encontrar e trocávamos relatos; outros se aproximavam de mim por curiosidade, alguns queriam saber como era a montanha. Muitos só me faziam perguntas.

Existem Deuses no alto da montanha?

Era a pergunta que mais ouvia, e por saber que lá não nada existia a não ser a pequena árvore, resolvi começar a agir como um louco, assim anulava a possibilidade de destruir suas crenças, alguns só tinham isso no que acreditar… Desisti de saber onde estava e para aonde estava indo… Tomei chuva, sol, sofri com o frio e ventanias. Houve vezes que tive companhia à noite, mas na maioria dormia sozinho. Dancei algumas vezes, na verdade, várias delas bêbado em volta de fogueiras.

Pessoas desistiram de mim… Não liguei, pois naquele momento eu podia observá-las há vontade…Vi então que em sua maioria elas não sabem o que se tornarão, não sabem para aonde estão indo, porém teimam em fingir que sabem… Enquanto eu tinha parado de querer saber a muito tempo e sem perceber simplificava a minha existência… Minha rotina era andar, comer, dormir, defecar e observar…

Fiz-me marcas voluntárias e implantei adornos metálicos no corpo, desisti de caminhar em direção ao norte… Somente às vezes eu me indagava quem era aquele ser que me olhava entre a aversão e o fascínio ao fazer a barba. Assim, meio sem querer, lembrei dos meus sonhos e desejos, olhei nos meus bolsos e percebi assombrado que as sementes brotavam e cresciam aos pouquinhos…

Passei a cuidar delas, com terra adubada que colocava em mim e passei a tomar mais banhos de chuva…

Aos poucos tornei-me um jardim caminhante, e ao sentar para descansar numa pedra, vi uma fada em forma de borboleta, ela era estonteante, soube naquele momento que meus olhos durante minha breve vida, talvez jamais veria beleza igual. Seu vôo era de uma delicadeza que hipnotizava… Pela primeira vez fiquei embriagado, sem usar outro recurso que não fosse minha visão…

Meu antigo hábito queria que eu a capturasse, meu novo eu deixou que ela partisse sem que eu sequer me movesse. Fiquei feliz em possuir sua ternura em meus olhos…

Me sentei na beira de um rio e reduzi meu ritmo de andar ao mínimo necessário. As sementes nesse momento que escrevo estão enormes e muitas outras plantas cresceram a minha volta. Pelos lugares que as vezes passo sou muitas vezes confundido com uma árvore, às vezes não sei se tenho mais pernas e braços ou galhos e raízes…

Estou um pouco velho, na minha orelha esquerda um casal de passaros fez um ninho e canta todas as manhãs…

Dias atrás, novamente, vi a fada borboleta. Assim, quase sem respirar e imóvel, contemplei seu trajeto de vôo até o pouso em meus galhos…

Não saberia dizer quando tempo a tive ali comigo, mas sei que o máximo que se pode esperar da perfeição é um breve momento… Estou realmente muito feliz, pelo que fui, pelo que sou, pelo que poderia ser!

…Escrevi o relato de como um menino realizou seu sonho… Se tornou árvore. Ou talvez seja eu que na minha arvoreza sonhei nas travessuras e ilusões de um menino…

…Abandonarei esse diário e tudo que me traga lembranças boas ou ruim…

…depois de hoje só sou…

… Estou acordado?… Dormindo?…

…Percebo que quando o sol se põem que ela vem, pousa, descansa comigo e n…

…mente feliz …

.

arvore

Representação dessa história foi pintado por Endrius, O bardo. Pintando com seiva sobre pergaminho.

Anthony Lessa – Gostaria de um dia conseguir se transformar em árvore…

 

 

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